Playlist #8 Susana Mendes Silva Fevereiro 27, 2017 – Posted in: Eventos, Playlist

Playlist #8
Susana Mendes Silva

Lado A
Girlschool, 2016
Slideshow, 1’48”

Girlschool é um projecto de aulas performativas sobre temas ligados à arte e à sexualidade criado por Susana Mendes Silva e Alice Geirinhas no âmbito da exposição Humidifique-se com curadoria de Miguel Von Hafe Pérez.
As duas aulas decorreram na cave dos Bregas nas sextas-feiras de dia 8 de abril e de 15 de abril de 2016 a partir das 19h:30. Havia uma mesa comum, um projector de vídeo, material de trabalho e vinho. A participação era livre mediante inscrição prévia via facebook ou por email.
Nas duas aulas — vulvamorfia e brinquedos — havia uma introdução visual e teórica e de seguida era proposto um exercício prático no qual a Susana e Alice também participavam. O material produzido deu origem a um fanzine homónimo lançado pela STET na Arcolisboa’16.
O título das nossas aulas performativas é uma homenagem às Girlschool, uma banda do sul de Londres formada em 1978 por Kim Mcauliffe, Enid Williams, Denise Dufort, Kelly Johnson.

The Girls, 2016
GIF em loop, 1′

The Girls foi uma obra criada para a exposição Humidique-se. Nesta exposição tinha a forma de um poster de 50 x 70 cm, mas na Playlist a imagem multiplica-se na coreografia básica de um GIF.
Humidifique-se foi uma exposição curada por Miguel Von Hafe Pérez nos Bregas, na qual participaram Alice Geirinhas, Ana Pérez Quiroga, André Cepêda, Arlindo Silva, Augusto Alves da Silva, Dayana Lucas, Gabriel Abrantes, Gustavo Sumpta, João Marçal, João Pedro Vale, Miguel Flor, Miguel Palma, São Trindade, Susana Mendes Silva, Tomé Duarte e Vera Mota.

Phantasia, 2007
Slideshow, 49”

Phantasia é uma série fotográfica desenvolvida a partir de um auto-retrato de Aurélia de Souza que pertence à colecção do Museu Nacional Soares dos Reis:

Título- Auto-retrato
Data- circa 1900
Autor/a- Aurélia de Sousa (1866-1922)
Técnica- Óleo sobre Tela
Dimensão- 450 x 360 mm
Inv. 878 MNSR

A primeira versão do projecto foi apresentada na revista L+arte (edição de Fevereiro de 2007). A necessidade de lhe chamar “Phantasia” tem haver com questões ligadas à própria noção de imagem, e sobre o modo como esta nos surge (na sua relação com a etimologia da palavra grega phainesthai). Mas também com a noção de fantasia enquanto máscara e desejo, e com fantasma enquanto encontro impossível (pelo menos em termos temporais). E são estas duas noções que estruturam toda a série.
Aurélia de Souza fotografava-se antes de pintar, e foi precisamente esse uso da fotografia, pela artista, que me fascinou. Por isso mesmo nunca “há” o encontro com o quadro, apenas com reproduções dele – enquanto projecto no meu caderno de notas e enquanto imagem num catálogo.
Interessou-me, também, o “vestir-me” de. Até porque nos quadros dela apenas pressupomos a performatividade anterior à fotografia e à pintura.

Lado B

Rectangle Disorder, 2014
vídeo, 3’08”
Este curto vídeo realizado por Maria João Guardão documenta a instalação Rectangle Disorder de Susana Mendes Silva e as performances criadas, a partir desta obra, por si e pelo coreógrafo Miguel Pereira, na Fundação Leal Rios: “#1 [preview]”, “#2 [manual de instruções]” e “#3 [finissage]”.

Quando o meu pai trouxe estes panos ainda não me conhecia, 2015-17
Slideshow, 1’54”

Este é um projecto de Susana Mendes Silva com curadoria de Antonia Gaeta para o Curatorial Clube — http://curatorialclube.com/ — que é um espaço expositivo online que acolhe curadores que por sua vez convidam artistas a fazer uma acção em espaço público.
Essa acção é registada fotograficamente num formato específico e apresentada com um texto descritivo. O espaço curatorial em questão é o enquadramento de uma lente de 50 mm ou equivalente. As acções acontecem e são registadas sem presença de público para a ocasião.
Quando o meu pai trouxe estes panos ainda não me conhecia aconteceu na Rua Cidade de Cabinda (no bairro dos Olivais em Lisboa) no final de Outubro de 2015. O lançamento do projecto foi em Janeiro de 2017.

Susana Mendes Silva (Lisboa, 1972)
é artista plástica e performer. O seu trabalho integra uma componente de investigação, e de prática arquivística, que se traduz em obras cujas referências históricas e políticas se materializam em exposições, acções e performances através dos mais diversos meios de produção. O seu universo contempla e reconfigura contextos sociais diversos sem perder de vista a singularidade do indivíduo. A sua intimidade psicológica ou a sua voz são inúmeras vezes veículos de difusão e recepção de mensagens poéticas e políticas que convocam e reactivam a memória dos participantes e espectadores.
Susana estudou Escultura na FBAUL e frequentou o programa de doutoramento em Artes Visuais (Studio Based Research) no Goldsmiths College, Londres, tendo sido bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. É Doutorada em Arte Contemporânea, pelo Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, com a tese, orientada por António Olaio, baseada na sua prática performativa – A performance enquanto encontro íntimo. É Professora Auxiliar na Universidade de Évora no curso de Arquitectura Paisagista.

EN

Playlist #8
Susana Mendes Silva

Side A
Girlschool, 2016
Slideshow, 1’48”

Girlschool is a performative classes project whose scope deals with art and sexuality. It was created by Susana Mendes Silva and Alice Geirinhas for the exhibition Humidifique-se (Humidify it) curated by Miguel Von Hafe Pérez.
The classes took place in the basement of Bregas on the fridays of the 8th of April and the 15th of April 2016 from 7:30 pm. There was a common table, a video projector, working materials and wine. The participation was free by previous enrolling in via facebook or email.
On the two classes — vulvamorphia and toys — there was a visual and theorethical introduction followed by a pratical exercise. All the material produced was the seedbed for an homonimous fanzine that was launched by STET at Arcolisboa’16.
The title of our performative classes is an hommage to the South London band Girlschool, that was founded in 1978 by Kim Mcauliffe, Enid Williams, Denise Dufort, and Kelly Johnson.

The Girls, 2016
GIF in loop, 1′

The Girls is a work created for the exhibition Humidique-se. In this show it was presented as a poster of 50 x 70 cm, but on Playlist the image multiplies in a basic choreography of a GIF.
Humidifique-se was an exhibition curated by Miguel Von Hafe Pérez at Bregas, withAlice Geirinhas, Ana Pérez Quiroga, André Cepêda, Arlindo Silva, Augusto Alves da Silva, Dayana Lucas, Gabriel Abrantes, Gustavo Sumpta, João Marçal, João Pedro Vale, Miguel Flor, Miguel Palma, São Trindade, Susana Mendes Silva, Tomé Duarte and Vera Mota.

Phantasia, 2007
Slideshow, 49”

Phantasia is a series of photographs that depart from Aurélia de Souza self portrait that is part of Museu Nacional Soares dos Reis’ collection:

Title- Self portrait
Date- circa 1900
Author- Aurélia de Sousa (1866-1922)
Medium- Oil on canvas
Size- 450 x 360 mm
Inv. 878 MNSR

The first version of this work was for the late art magazine L+arte (February 2007 edition). The need to call it “Phantasia” is related to questions connected with the very notion of image, and on the way it appears to us (especially with the etimology of the greek word phainesthai). But also the notion of fantasia (phantasy) as mask and desire, and also with fantasma (ghost) as an impossible encounter — at least temporally. And these are the two notions that structure all the series.
Aurélia de Souza photographed herself before painting, and it was this use of photography by the artist that fascinated me. As so, there “is” never an encounter with the painting itself but rather with reproductions of it — as a project on my notebook and as an image in a catalogue.
I was also interested in “dressing as”. Because in her paintings we only can guess the performativeness before photography and painting.

Side B

Rectangle Disorder, 2014
vídeo, 3’08”
This short video directed by Maria João Guardão documents the installation Rectangle Disorder by Susana Mendes Silva and the performances created for it by her and by the choreographer Miguel Pereira, in Leal Rios Foundation: “#1 [preview]”, “#2 [instructions manual]” and “#3 [finissage]”.

When my father brought these cloths he still didn’t know me, 2015-17
Slideshow, 1’54”

This is a project by Susana Mendes Silva curated by Antonia Gaeta for Curatorial Clube — http://curatorialclube.com/ — that is an online exhibition space where curators invite artists to perform an action in public space. This action is registered photographically in a specific format and presented with an descriptive text. The curatorial space in question is the framing of a 50 mm lens or equivalent. The actions take place and are recorded without the presence of public specifically for the occasion.
When my father brought these cloths he still didn’t know me took place in Rua Cidade de Cabinda (Cabinda City Street), in Olivais neighbourhood, Lisboa, in the end of October 2015. The online preview was in January 2017.

translation of the text in the slideshow:

“From 1969 to 1971 my father was in the Maiombe forest, Cabinda, during the Overseas War. In June 1971 he, and some soldiers of his company, entered ilegally in Congo to buy some gifts before returning for good to Lisboa.
Despite the colonial war ended in 1974, Cabinda seems to be a non-subject in Portugal. The territory was a portuguese protectorate from 1885 to 1975. Cabinda was never part of Angola nor has any common physical border. Nevertheless after the 25th of April of 1974 the MPLA took military control of the protectorate and made it one of its provinces. The interest is explained by the wealth in raw materials, especially in the petroleum production, that in 2010 represented around 70% of the exportation of angolan crude oil. The Front for the Liberation of the State of Cabinda still fights for the independence of this country.”

I was only born in September 1972, and these were the cloths my father brought me (without knowing it yet).”

Susana Mendes Silva (Lisboa, 1972)
is a visual artist and a performer. Her work incorporates elements of research and archival practice that leads to the creation of works whose historical and political references become visible as exhibitions, actions and performances that employ a wide variety of media. Her universe considers and reframes different social contexts without ever losing track of the individual’s uniqueness. Her psychological intimacy and her voice are often the means for the diffusion and reception of poetic and political messages that call upon them.
Susana studied Sculpture at FBAUL (Lisbon, PT), and in the MPhil/PhD Fine Art (Studio Based Research) at Goldsmiths College for which she was awarded a Calouste Gulbenkian Foundation grant. She has a PhD based in her practice — “Performance as an Intimate Encounter” — by the College of the Arts of the University of Coimbra. Susana is an Assistant Professor at the University of Évora in the Landscape Architecture BA and MA.